(A causa mais comum da Infertilidade Masculina)
O que é ?
É a dilatação anormal de veias do plexo pampiniforme, que situam-se ao redor do testículo. Vários estudos tem mostrado que a varicocele diminui a fertilidade. Admite-se que a varicocele é a causa mais comum de infertilidade masculina.
Como a Varicocelepode causar a infertilidade?
Na varicocele, várias veias tornam-se dilatadas, formando "varizes" ao redor do testículo. Assim, o sangue fica represado ao redor do testículo, levando ao aumento da temperatura testicular. Observe que os testículos estão situados numa bolsa (escroto) fora do corpo. Isto não é à toa. É que para os testículos, que fabricam os espermatozóides, trabalharem adequadamente, a temperatura da "fábrica" deve estar a cerca de 1,5 a 2ºC mais baixa que a temperatura do nosso corpo. Entretanto, na presença da varicocele, a temperatura aumenta e atinge a temperatura corporal. Além disso, o sangue represado armazena substâncias tóxicas. Como conseqüência, pode ocorrer diminuição da produção, da movimentação e do funcionamento dos espermatozóides, causando infertilidade. Esta é a teoria mais aceita para explicar por que a varicocele causa infertilidade. Em alguns homens, a varicocele também causa dor e diminuição do tamanho dos testículos.
A Varicocele é comum?
A incidência de varicocele na população masculina é de aproximadamente 15%. Nos adolescentes, este valor é similar ao dos adultos, sendo o pico de seu aparecimento entre 14 e 15 anos de idade. Nem todos os homens com varicocele terão problemas para gerar filhos. Na verdade, a maioria dos homens com varicocele são férteis. Porém, entre os homens inférteis, a varicocele é a causa da infertilidade em cerca de 40% deles. Muitos homens tem varicocele somente do lado esquerdo, embora seja comum que a mesma ocorra dos dois lados.
Como surge a Varicocele?
O surgimento da varicocele tem caráter congênito, ou seja, o indivíduo já nasce com a tendência de apresentar as varizes a partir da adolescência. A varicocele não é causada por fatores externos, como carregar peso, exercícios pesados, etc. A maior incidência da varicocele no lado esquerdo está ligada à anatomia da veia espermática esquerda (que é a principal veia do plexo pampiniforme).
A veia espermática esquerda é mais longa que a direita, e desemboca em ângulo reto na veia renal deste lado. Assim, forma-se uma longa coluna hidrostática, com alta pressão, que dilata o plexo pampiniforme. Além disso, a pressão transmitida pela veia renal para o plexo pampiniforme pode danificar as válvulas da veia espermática. Estas válvulas são importantes porque impedem o retorno do sangue para os testículos. As válvulas só permitem o fluxo do sangue de baixo para cima. Porém, quando estão danificadas, ocorre também o fluxo inverso, todas as vezes que há aumento da pressão no abdome, como por exemplo, ao tossir, espirrar, gritar, levantar peso, etc.
Como a Varicocele é diagnosticada?
A maioria dos homens com varicocele não tem sintomas. Alguns ocasionalmente queixam-se de sensação de peso, dor ou aumento do volume escrotal. Devido aos poucos sintomas existentes, o diagnóstico baseia-se no exame físico que o médico realiza. Este exame deve ser realizado com o paciente em pé, em ambiente tranquilo, em temperatura não refrigerada, o que favorece o relaxamento da musculatura local. A manobra de Valsalva (fazer força para aumentar a pressão abdominal), em geral, facilita a visibilização e palpação das veias dilatadas. Examina-se, posteriormente, o paciente deitado, para avaliar outras alterações nos testículos e órgãos anexos, observando a eventual diferença de tamanho entre os dois lados. Assimetria ou hipotrofia testicular são sugestivas de dano testicular e podem orientar o tratamento cirúrgico, principalmente em adolescentes. De acordo com o grau de desenvolvimento, as varicoceles são classificadas em: - Grau I (pequenas): aquelas que são palpáveis apenas com a manobra de Valsalva. - Grau II (moderadas): palpáveis facilmente sem esta manobra. - Grau III (grandes): detectadas visualmente e palpadas com facilidade. O diagnóstico da varicocele baseia-se no exame clínico que o método realiza. Nos casos duvidosos, para confirmação, podem ser utilizados exames complementares. Dentre estes destaca-se o doppler. Neste, o "probe" (semelhante a uma caneta) é colocado no cordão espermático, com o paciente em pé. Um ruído característico (refluxo venoso) é audível quando solicitada a manobra de Valsalva, nos casos de varicocele.
Varicocele Subclínica
É a varicocele que não pode ser detectada pelo exame físico, mas apenas por exames subsidiários, como o ultra-som com doppler, é denominada subclínica. É uma entidade patológica muito controversa. Alguns autores julgam que essas varicoceles podem afetar a fertilidade, enquanto que a maioria discorda dessa teoria. Em conclusão, não existe até o momento, argumentos consistentes para a indicação de tratamento cirúrgico nos casos de varicoceles "subclínicas". Exceção a esta regra ocorre quando existe uma varicocele clínica de um lado e subclínica de outro. Neste caso, há indicação de operar-se ambos os lados, para evitar que a varicocele subclínica transforme-se numa varicocele clínica, futuramente.
Como fica o Espermograma na Varicocele?
É muito comum observar-se alteração da qualidade do sêmen. Diminuição do número de espermatozóides, da sua motilidade e da morfologia são frequentes nos homens com varicocele que tem dificuldade para gerar filhos. O espermograma alterado é útil para reforçar a indicação do tratamento e para acompanhamento posterior.
A Varicocele tem cura? Qual a maneira mais eficaz de tratamaneto?
O tratamento da varicocele está indicado quando houver varicocele clinicamente detectável, espermograma alterado, especialmente naqueles homens com dificuldades para ter filhos. O tratamento também está indicado se houver sintomatologia local (exemplo: dor testicular). Tendo em vista o caráter progressivo da doença, recomenda-se também o tratamento nos homens solteiros, portadores de varicocele clínica e com análise seminal alterada. O tratamento da varicocele é cirúrgico. O objetivo do procedimento é a interrupção do fluxo de sangue pelas veias dilatadas. É importante preservar a artéria testicular, que nutre o testículo, bem como o canal deferente com sua vascularização, e os vasos linfáticos que transportam a linfa do cordão espermático. A técnica cirúrgica mais eficaz para o tratamento da varicocele é aquela que emprega a microcirurgia. O cirurgião utiliza o microscópio cirúrgico que aumenta a sua visão até 40 vezes, além de instrumentos especiais e delicados. A microcirurgia é importante porque facilita a identificação de todas as veias dilatadas, e permite a preservação da artéria testicular e dos vasos linfáticos. A olho nu, algumas veias podem passar desapercebidas. Consequentemente, a varicocele persiste e a fertilidade não melhora. Além disso, sem a microcirurgia, fica difícil identificar a artéria testicular e os vasos linfáticos. Se a artéria for danificada, pode ocorrer atrofia do testículo e piora da fertilidade. Por outro lado, se os vasos linfáticos forem danificados, pode haver acúmulo de linfa no escroto (conhecida como "água no testículo"). Quando a microcirurgia é utilizada no tratamento da varicocele, o índice de sucesso é de cerca de 99%, ao passo que este índice é de apenas 75% com o tratamento convencional. Portanto, nos dias atuais, para o homem infértil com varicocele, a microcirurgia é, sem sombra de dúvida, o tratamento de escolha para a varicocele.
Qual é a experiência da Androfert no tratamento da Varicocele?
O Dr. Sandro Esteves foi um dos pioneiros na utilização da microcirurgia para o tratamento da varicocele no Brasil, e é hoje um dos urologistas com maior experiência nesta técnica em todo o território nacional. Desde 1996, mais de 200 microcirurgias já foram realizadas, todas elas em nível ambulatorial, ou seja, não há necessidade de internação hospitalar, pois o paciente recebe alta algumas horas após o término da cirurgia. A recuperação é muito rápida e o retorno ao trabalho ocorre, em geral, 3 dias após a microcirurgia. Dos pacientes tratados na ANDROFERT, 75% apresentam melhoria da qualidade do sêmen, que ocorre entre 3 e 6 meses após a microcirurgia. Além disto, 40% dos homens tratados conseguem engravidar suas esposas, geralmente no primeiro ano, sem uso de qualquer técnica de reprodução assistida. Outros terão que utilizar alguma técnica de reprodução assistida, geralmente técnicas simples e de baixo custo, que não seriam factíveis sem o tratamento. Em alguns casos, a melhora advinda da cirurgia não será suficiente para a gravidez natural, e haverá necessidade de utilizarmos técnicas mais complexas, principalmente naqueles casos de varicocele com longo tempo de evolução e comprometimento grave da fertilidade. O Dr. Sandro Esteves foi ainda o pioneiro, no Brasil, na utilização da microcirurgia para o tratamento da varicocele grave que leva à interrupção da produção de espermatozóides (azoospermia). Nestes casos extremos, a microcirurgia pode oferecer uma esperança para homens considerados estéreis. Recentemente (1999), apresentamos os resultados da microcirurgia neste grupo particular de homens no maior Congresso de Urologia mundial, realizado nos EUA, e obtivemos excelente repercussão. De maneira geral, cerca de 50% dos homens azoospérmicos podem voltar a ter espermatozóides na ejaculação após a microcirurgia.
Que tipo de acompanhamento deve ser realizado após a Microcirurgia?
Exames clínicos e espermogramas são realizados 3, 6 e 12 meses após a operação, período este em que geralmente ocorre a melhora na fertilidade.