O uso de medicamentos para tratar a infertilidade masculina funciona em apenas três situações clínicas específicas:
1) Disfunção ejaculatória. Na ejaculação retrógrada ou anejaculação (idiopática ou diabética),
alfa-simpatomiméticos aumentam o tônus simpático do colo vesical e transformam o fluxo retrógrado em anterógrado. Funciona em 30% dos casos. Utilizo 60 mg VO de pseudoefedrina, 4X/dia, de maneira intermitente: 10 dias antes do início do período fértil da parceira, mantendo-se por 14 dias.
2) Infecção do trato genital.O uso de antibióticos específicos nos homens inférteis com prostatite,
epididimite e uretrite, comprovadamente melhora os parâmetros seminais e o potencial fértil. Já o
tratamento da leucocitospermia (> 1 milhão de leucócitos/mL de sêmen), presumindo-se a presença
de infecção subclínica, com antibióticos de largo espectro, é controverso. Eu particularmente
administro 1,0g VO de azitromicina, em dose única, para todos os pacientes inférteis assintomáticos
com leucocitospermia, e também para suas parceiras, pelo fato da incidência de infecções genitais
assintomáticas nos homens inférteis ser elevada (clamídia 9-39%, ureaplasma 30-81%), e os
métodos diagnósticos comumente disponíveis serem imprecisos. A espermocultura está indicada apenas nas infecções agudas, pois cerca de 83% dos homens inférteis apresentam culturas positivas, a maioria por contaminação uretral.
3) Disfunção hormonal. A hiperprolactinemia, causada por microadenomas, pode ser tratada
com agonistas dopaminérgicos (ex. bromocriptina), pois a secreção de prolactina é inibida
pela dopamina. No hipotireoidismo, o tratamento baseia-se na reposição de tiroxina. No hipogonadismo hipogonadotrófico, que pode ser congênito (ex. síndrome de Kallmann) ou adquirido (radioterapia, tumor ou infarto hipofisário, uso de esteróides anabolizantes),
e está geralmente associado à virilização deficiente, hipotrofia testicular e azoospermia,
o tratamento é muito efetivo. Baseia-se na reposição de LH e FSH, que irão estimular a produção
testicular de andrógenos e iniciar a espermatogênese. Eu utilizo a gonadotrofina coriônica humana
(que tem ação similar ao LH), na dose de 5.000 UI IM/semana, e o FSH (urinário ou recombinante),
na dose de 75UI IM 3X/semana. A espermatogênese retorna entre dois a seis meses após o início
do tratamento. Embora o tratamento empírico possa melhorar os parâmetros seminais em alguns indivíduos com oligozoospermia, tal fato não é acompanhado por um aumento significativo nas taxas de gravidez, de acordo com estudos controlados. Frente às evidências atuais existentes, o uso de antiestrogênicos (citrato de clomifeno ou tamoxifeno), androgênios (mesterolona, terapia rebote com testosterona), gonadotrofinas (hCG, HMG, FSH), antioxidantes (vitaminas C e E), pentoxifilina, kalicreína e glutationa não estão recomendados no tratamento da infertilidade
masculina.
Fonte: Esteves, S. Professor Responde. Sociedade Brasileira de Urologia.BODAU.p.58, Julho/Agosto,2008.