Um dos problemas que atingem casais no mundo inteiro e trazem consequências ruins no relacionamento é a dificuldade de engravidar. Segundo estatísticas, um a cada grupo de seis casais tem problemas para engravidar, porém, o que poucos sabem é que essa dificuldade é tanto no homem quanto na mulher, pois não há um parceiro que seja mais responsável que o outro em não conseguir ter um filho.
Diante dessa realidade que acomete tantos casais nos dias de hoje, o convidado do “Sala de Visitas” desta semana é o Dr. Sandro Esteves, que é urologista, fundador da Androfert, diretor clínico da instituição, responsável pelo Setor de Infertilidade Masculina e Microcirurgia, e diretor dos Laboratórios de Andrologia e Reprodução Humana.
No caso dos casais que não conseguem engravidar, Dr. Sandro explica que no Brasil esse grupo representa dois milhões e meio e, deste total, 30% tem necessidade de utilizar técnicas de reprodução assistida. Uma das mais antigas e ainda utilizada por alguns centros é a inseminação artificial, onde se faz uma colocação do esperma do marido dentro do útero da mulher por meio de uma cânula.
Já a fertilização in vitro, o chamado “bebê de proveta”, teve um avanço extraordinário, na opinião do médico, e é a mais utilizada recentemente. “É uma técnica que injeta o espermatozóide dentro do óvulo por meio de uma micro agulha e que também é chamada de Injeção Intracitoplasmática de Espermatozóides (ICSI) no óvulo”, conta. Para ele, essa foi a revolução em nível mundial e, de lá para cá, têm sido constantemente atualizados esses procedimentos, uma vez que não resolvem todos os casos, pois mesmo as técnicas bem avançadas, como a fertilização in vitro, tem uma taxa de sucesso ao redor dos 40%, por tentativa. Porém, no caso dos casais que tenham fertilidade natural há uma chance de gravidez, por mês, de 15%.
Avanços
Dr. Sandro Esteves explica também que um grande avanço, em nível mundial, foi para os homens que não ejaculam espermatozóides, pois, com outra técnica, o médico utiliza um microscópio para procurar dentro do testículo onde estão os espermatozóides, fazendo com que os homens considerados estéreis possam ser pai. Para as mulheres, outro avanço muito importante na medicina foram os medicamentos utilizados para induzir a ovulação, pois hoje têm poucos efeitos colaterais. No entanto, uma técnica também revolucionária e mais recente, é a de congelamento de óvulos e embriões, chamada vitrificação.
“Essa técnica é fantástica, pois permite que mulheres que estejam com idade acima dos 35 anos e que ainda não estão prontas para ser mãe, possam congelar óvulos e preservar a fertilidade futura, ou mulheres que têm câncer e vão precisar passar por uma quimio ou radioterapia e podem ficar estéreis. Nesse caso elas podem tirar os óvulos antes do tratamento, congelá-los e depois engravidar”, conta.
Então não há mal nenhum em um homem não conseguir engravidar a esposa, por ter uma deficiência na produção de espermatozóides e isso não compromete em nada a masculinidade dele”, diz o médico, que também afirma que esse mito ainda existe e é maior em relação aos homens.
Acessibilidade
Na Androfert são expostas diversas fotos de casais que conseguiram ter filhos, juntamente com os bebês e esse, na opinião do Dr. Sandro é o maior troféu, pois “o trabalho é difícil e requer uma dedicação exclusiva de cada profissional envolvido”. Em média, por ano, a instituição realiza 600 tratamentos, já ultrapassando a marca de mais de mil bebês nascidos.
Ele explica que a procura por parte dos casais é grande, porém a questão financeira ainda limita os tratamentos. Por isso, o programa Acesso, criado em 2006 pela Vidalink, empresa do mercado de Gestão de Benefícios de Medicamentos, foi um dos responsáveis pelo aumento da acessibilidade dos casais de classe média, ou seja, com renda mais baixa. No Brasil, o grande avanço que houve na reprodução assistida foi a regulamentação que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) fez no setor.
Hoje, para uma clínica de reprodução humana funcionar, na forma legal, precisa estar dentro dos pré-requisitos que a ANVISA exige e que são rígidos para atender a segurança do paciente. Mas um limitador ainda tem sido o custo dos tratamentos. Por isso, em todo o país, que se estende para a região de Campinas, o programa Acesso oferece um baixo custo que possibilita casais, que antes precisariam arcar com todo o custo da reprodução assistida, que girava em torno de R$ 15 mil, variando de acordo com o procedimento, hoje consigam se tratar pela metade do valor.
O Acesso conta com o apoio de 99 clínicas em 34 cidades brasileiras, dentre elas, a região de Campinas é a que mais tem casais envolvidos no programa, de acordo com Dr. Sandro. Para fazer parte do Programa, o primeiro passo é fazer o cadastro no site (www.queroterumfilho. com.br) ou ligar no 080011 33 21. Neles, encontram-se todas as informações e orientações necessárias para o envio da documentação. No caso da inclusão, o paciente é encaminhado para o programa Acesso e para a clínica, que inicia o tratamento com desconto de até 50% nos medicamentos para infertilidade e a possibilidade de abatimento nas despesas de atendimento médico.
Preconceito
Mesmo com os incentivos na área, o preconceito quanto ao uso dessas técnicas, segundo Dr. Sandro ainda existe, pois alguns casais preferem não comentar com amigos ou familiares que estão utilizando essas técnicas para engravidar. E, neste caso, um ponto importante levantado pelo médico é que o homem que tem quebra ou diminuição da fertilidade não tem impotência, pois a questão sexual e da ereção não tem nada a ver com a infertilidade. “Os homens misturam potência com fertilidade, mas, na verdade, são coisas independentes.
Fonte: Jornal Terceira Visão de Valinhos - 17/09/2010