Trabalhos Apresentados em Congressos
Impacto dos anticorpos antiespermatozóides de superfície nos resultados da ICSI
Verza Jr., S., Esteves, S.C.
ANDROFERT , Centro de Referência em Infertilidade Masculina, Campinas - SP
Introdução e Objetivos: Anticorpos antiespermatozóides (AAE) podem diminuir a fertilidade, uma vez que alteram a penetração no muco cervical, a fusão espermatozóide-oócito, além de alterar a motilidade e promover a aglutinação espermática. O objetivo deste estudo foi avaliar a influência dos anticorpos antiespermatozóides presentes na superfície dos espermatozóides nos resultados da injeção intracitoplasmática do espermatozóide no óvulo (ICSI).
Materiais e método: Foram analisados 108 ciclos de ICSI, realizados de janeiro de 1999 a dezembro de 2002, nos quais havia investigação prévia de AAE no sêmen. A detecção de anticorpos foi realizada utilizando-se o teste de immunobeads direto (H+L, Irvine Scientific, EUA), para determinar a percentagem de espermatozóides com anticorpos ligados a sua superfície. Os casos foram divididos em 4 grupos, de acordo com o percentual de AAE: Grupo I (n=62): 0% a 10% de AAE; Grupo II (n=32): 11% a 20%; Grupo III (n=8): 21% a 50% e Grupo IV (n=6): 51 a 100% .
O processamento seminal, foi realizado pela técnica do gradiente descontínuo coloidal. Avaliou-se os resultados da ICSI em relação às taxas de fertilização, velocidade de clivagem, grau de fragmentação e número de blastômeros dos pré-embriões. Foi utilizado o teste não-paramétrico Kruskal-Wallis ANOVA, com nível de significância 0,05 para comparar os resultados entre os 4 grupos.
Resultados: Não foram encontradas diferenças significantes entre os quatros grupos, em nenhum dos parâmetros analisados, sendo os principais apresentados na tabela.
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Média( ± DP)
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Grupo I
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Grupo II
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Grupo III
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Grupo IV
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valor p
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FERTILIZAÇÃO 2PN
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71,8 (22,4)
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66,3 (23,3)
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74,9 (10,3)
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68,15 (15)
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NS
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FERTILIZAÇÃO 3PN
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6,6 (12)
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7,4 (13,4)
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3,9 (3,7)
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12,5 (20,9)
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NS
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EMBRIÕES BONS 1 D2
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59,2 (30,2)
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51,7 (26,9)
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42,6 (34,7)
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72,9 (67,4)
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NS
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EMBRIÕES RUINS 2 D2
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7,6 (16,2)
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3,3 (6,6)
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7,4 (11)
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3,3 (8,1)
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NS
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EMBRIÕES BONS 3 D3
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33,6 (25,8)
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39,3 (27,1)
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23,6 (22,3)
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68,5 (31,7)
|
NS
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EMBRIÕES RUINS 4 D3
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7,1 (19,3)
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4,2 (8,8)
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6,1 (13,5)
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0
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NS
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VC* D2 NORMAL
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51,9 (27,9)
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46,3 (27,9)
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35,5 (24,6)
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68,2 (66,1)
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NS
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VC D2 LENTA
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30,4 (24,2)
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41,9 (28,3)
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46,4 (30)
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43,1 (35,2)
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NS
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VC D2 AUMENTADA
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15,4 (19,4)
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10 (14)
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13,2 (16,3)
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8 (12,8)
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NS
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VC D3 NORMAL
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35,4 (25,4)
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36,4 (24,5)
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20,4 (18,6)
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49,9 (29,2)
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NS
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VC D3 LENTA
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56,3 (32,8)
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45 (31,2)
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65,7 (33,2)
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35,7 (31)
|
NS
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VC D3 AUMENTADA
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6,3 (11,9)
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11,2 (19,6)
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7,9 (9,3)
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33,7 (41,9)
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NS
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TAXA CLIVAGEM
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95,2 (15,5)
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89,9 (22,1)
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92,9 (16,8)
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100
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NS
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1 >3 blastômeros grau 1 e 2; 2 > 3 blastômeros grau 3 e 4; 3 > 7 blastômeros grau 1 e 2; 4 > 7 blastômeros grau 3 e 4; *VC= Velocidade de Clivagem
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Conclusão: Apesar das alterações observadas in vivo no processo de fecundação na presença de AAE, estes anticorpos parecem não influenciar os resultados da ICSI, provavelmente devido: 1) ao processamento seminal com gradientes de densidade, que elimina parte dos anticorpos aderidos aos espermatozóides; 2) pelo fato da ICSI ultrapassar a etapa da fusão do espermatozóide com a zona pelúcida do oócito, mostrando assim que a ICSI é eficaz no tratamento da infertilidade relacionada à presença de AAE no sêmen.